segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O Homem Areia

Via o mar dissolver seus pés
E o fogo transmutá-lo em vidro
Alquimia da chuva a desbaratar seus sonhos
De viver e ser e pensar, estar vivo

Ele era todos e nenhum
Deixado na porta de cada casa
Varrido da vida de cada uma
Nos densos grãos se afogava

E foi atrás de um grande deserto
Correntes marítimas o carregaram
Entre mares azuis e trovoadas

Semeou seus grãos por todo o Saara
Sua porção homem se exaurira
Sua porção areia se encontrara.

(Renato Menežes)