segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Mora lá 
na última luz acesa
No despontar da noite estrelada
O desejo que assume a beleza
A minha mão na tua
Desce pelos teus pêlos
Dedos úmidos da tua gruta
E um beijo de crua certeza

Galopando meus quadris
Esqueço as minhas mil vidas
Meus afetos tropicais entre mandris
E obstinações de um trilobita
Embriagado pelos guetos de Paris
Au revoir, c'est comme ça qu'elle m'as dit
Mortalmente ferido em outra galáxia
Mas enquanto nós fodemos aqui
Perco todas as páginas lidas

Da mesma forma
O amanhã não se prenuncia
Apenas existe esta noite estrelada
Cartas marcadas, regras rompidas
Entre coitos urgentes, aflitos
Vestidos apenas pela lua
Gozamos ofegantes delírios
Restando nenhuma palavra.

Na madrugada de 12/01/2021

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